terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Dever de Casa - Segundo Ano D

01-
JUSTIFIQUE o processo de migração da mão de obra escrava na segunda metade do XIX.

02 -
APRESENTE e CONTEXTUALIZE os diferentes projetos de imigração realizados no II Reinado.

Alá é o Senhor, abraço!

Roteiro - Prova I - Segundo Ano (21/02/2011)

Roteiro de Estudos de História

1ª Prova/ 1ª Etapa – 21/02/2011
Prof. Tiago Ávila

Habilidades Exigidas:

Segundo Reinado

- Reconhecer e caracterizar os principais marcos deste processo histórico.
- Identificar geograficamente os processos e eventos do período.
- Analisar o jogo político do II Reinado.
- Argumentar sobre a rotatividade dos ministérios.
- Identificar e Explicar as motivações dos processos migratórios na segunda metade do XIX.
- Reconhecer as resistências à implementação da política imperial no pós Golpe da Maioridade.
- Identificar a origem ideológica dos questionamentos ao governos na década de 1840.
- Reconhecer as principais características da produção historiográfica no II Reinado.
- Analisar transformações e permanências da produção historiográfica do II Reinado nos dias de hoje.
- Comparar os modelos agroexportadores na segunda metade do XIX aos das últimas décadas do XX.

Orientações Gerais:
1. Estude utilizando o livro, o caderno e as folhas complementares.
2. Refaça os exercícios e deveres como forma de testar seus conhecimentos e treinar os verbos de comando (sobretudo os do Bloco de Exercícios e Textos Complementares).
3. Faça os deveres de casa com afinco, eles são fundamentais para a sua preparação para a prova.
4. Consulte as dicas para a prova e o próprio roteiro no Blog do professor.
5. Leia com atenção o enunciado, ele exige uma resposta específica e não um volume enorme de informação.
6. Querer dizer não é resposta, coloque claramente seu raciocínio no papel e não pressuponha que o corretor irá deduzir nada.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Texto Complementar - II Ano - ABOLICIONISMO

Galera, esse texto é um presente meu pra vocês, do fundo do coração. Li umas 35 páginas e retirei os parágrafos fundamentais, compilando tudo em 5 páginas. E o texto é muito bom, com informações diferentes, já que o texto foi escrito na perspectiva de uma abordagem menos "governamental" e "legalista" do tema do abolicionismo.


O Abolicionismo

Podemos dizer que, para a maior parte do mundo ocidental, o século XIX representou a “era das emancipações”. Naquele século, a escravidão e as demais formas de trabalho forçado, como a servidão na Rússia, foram condenadas e extintas em várias partes da Europa e das Américas. Na Europa, desde fins do século XVIII, surgiram movimentos abolicionistas reivindicando o fim do tráfico e a extinção do trabalho escravo. Aqueles movimentos modificaram o posicionamento dos governos das grandes potências em relação à escravidão em seus domínios coloniais. Por exemplo, foi sob pressão dos abolicionistas que, em 1808, foi abolido o tráfico transatlântico para as colônias inglesas do Caribe e, em 1834, foi abolida a escravidão nessas mesmas colônias.

Sem dúvida, aqueles acontecimentos repercutiram no Brasil e deixaram evidente que se havia quebrado o pacto entre as grandes nações coloniais européias de defesa da escravidão. Repercutiu também a revolução escrava do Haiti. As elites brasileiras temiam que seus escravos fizessem o mesmo. Durante todo o século XIX, o fantasma do “haitianismo” atormentou as cabeças de quem defendia e inspirou quem atacava a ordem escravocrata. Muitos críticos da escravidão na primeira metade do século advertiam que se o tráfico e em seguida a escravidão não desaparecessem o Haiti poderia repetir-se no Brasil. De fato, para os escravos brasileiros os acontecimentos do Haiti tiveram outro significado, mostraram que era possível sonhar com o fim da escravidão.

Mas foi na segunda metade do século XIX, especialmente depois da proibição do tráfico, em 1850, que o debate sobre a abolição da escravidão se intensificou no Brasil. Para boa parte das elites brasileiras ficou evidente que o fim do tráfico teria como conseqüência lógica o fim do cativeiro. Acreditavam que com os altos índices de mortalidade da população escrava, e sem possibilidade de renová-la por meio do tráfico, a escravidão desapareceria em algumas décadas. A partir de então, a elite política e as organizações de agricultores passaram a projetar e a colocar em prática a substituição de mão-de-obra escrava por colonos europeus ou asiáticos. Buscou-se também transformar os escravos em trabalhadores livres.

Percepções, medos de esperanças sobre o processo de abolição

Para se opor à abolição, os donos de escravos e seus representantes no parlamento argumentavam que os cativos não estavam preparados para a vida em liberdade, e que fora do cativeiro se tornariam vadios e ociosos. Fizeram também previsões catastróficas de aumento da criminalidade nas cidades decorrente da saída dos escravos das zonas rurais. Na verdade, os senhores não queriam perder o controle sobre seus trabalhadores cativos e só admitiam que a abolição fosse feita no longo prazo, com indenização e leis que garantissem que, mesmo depois de abolido o cativeiro, os ex-escravos não abandonariam suas propriedades.

Já os escravos tinham expectativas de que a abolição do cativeiro acontecesse o mais rápido possível. Estudos recentes demonstraram que os escravos tomaram iniciativas que aceleraram o fim da escravidão, como as fugas, a formação de quilombos e a rebeldia cotidiana. A movimentação dos escravos teve repercussão política e influenciou decisivamente o processo da abolição. Influenciou inclusive a forma como os políticos encaminharam as discussões sobre as leis emancipacionistas. Deputados, senadores e conselheiros do Império, muitos deles grandes proprietários de escravos, estavam atentos ao que acontecia à sua volta e muitas das suas decisões foram tomadas sob pressão do que viam nas ruas e nas senzalas.

A Lei de 1871 e o direito costumeiro – a compra de alforrias.

A Lei de 28 de Setembro de 1871 contemplava alguns direitos costumeiros que os negros haviam adquirido ao longo de muitos anos de luta. Por exemplo, a lei reconhecia o direito ao pecúlio, ou seja, que o escravo podia utilizar suas economias para comprar a liberdade. A grande inovação foi permitir ao escravo acionar a justiça caso o senhor se recusasse a conceder sua alforria. Nesse caso o escravo, representado por um curador, podia se dirigir a um juiz municipal e abrir uma ação de liberdade. Quebrava-se assim o monopólio da vontade dos senhores na concessão da alforria. Depois de 1871, em todo o Brasil, centenas de escravos e escravas recorreram à justiça para conseguir a liberdade.

Os Abolicionistas – Origens e Ideias.

A origem dos abolicionistas é diversa. Alguns traziam na trajetória de vida a ligação com a escravidão. Um deles era o poeta Luiz Gama, nascido em Salvador, em 1830, filho de uma quitandeira africana liberta chamada Luíza Mahin e de um negociante português. Sua mãe teria se envolvido em insurreições escravas na Bahia, fugido para o Rio de Janeiro e em seguida deportada para a África. Mas a história de Luiza Mahin está envolta em dúvidas. Seu próprio filho fala dela cheio de incertezas. Quanto ao pai de Luiz Gama, em crise financeira, o teria vendido como cativo para o Rio de Janeiro, uma venda ilegal posto que houvesse nascido livre. Do Rio foi vendido para São Paulo, onde viveu como escravo doméstico até os dezessete anos. Alfabetizou-se ainda no cativeiro com hóspedes da casa de seu senhor. Depois de livrar-se do cativeiro, não se sabe como, foi escrivão, poeta, jornalista, advogado sem diploma. Na década de 1870, Gama notabilizou-se defendendo nos tribunais a liberdade de africanos trazidos para o Brasil depois da lei de 1831. Em 1881, ele fundou a Caixa Emancipadora Luiz Gama para a compra de alforrias.

José do Patrocínio teve participação destacada na imprensa carioca e nas reuniões abolicionistas. Nascido em Campos, no Rio de Janeiro, Patrocínio era filho de um padre fazendeiro, dono de escravos, e de uma mulher negra vendedora de frutas chamada Justina Maria do Espírito Santo. Aos vinte e oito anos já era famoso por seus discursos exaltados, emotivos e teatrais. Ao lado de Joaquim Nabuco, importante abolicionista pernambucano, fundou a Sociedade Brasileira contra a Escravidão.

André Rebouças foi um dos mais admiráveis líderes abolicionistas. Também nasceu na Bahia, filho do conselheiro Antônio Pereira Rebouças, pardo, mudou-se para corte ainda criança. Formou-se em engenharia e ensinou botânica, cálculo e geometria na Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Mesmo não tendo o dom da oratória de Luiz Gama e de José do Patrocínio, Rebouças tinha uma visão bastante lúcida das questões cruciais que envolviam o futuro do povo negro.

Vale dizer que não havia unidade de pensamento e ação entre os abolicionistas. Na verdade, o movimento abrigava indivíduos e grupos com visões políticas diferentes. Podiam-se encontrar liberais e conservadores, monarquistas e republicanos. Eles se dividiam principalmente em relação às formas de atuação e aos objetivos. Para muitos, a abolição devia ser feita pela via parlamentar, sem mobilizar as camadas populares e muito menos os escravos. Para outros, no entanto, o abolicionismo deveria envolver toda a população, sobretudo os escravos. Essa segunda vertente vai se fortalecer na década de 1880 e será responsável pelas ações mais ousadas, promovendo fugas e confrontando capitães-do-mato e policiais que perseguiam escravos fugidos.

Quanto aos objetivos, muitos achavam que a luta abolicionista deveria acabar com o fim da escravidão, pois acreditavam que daí por diante não haveria mais entraves ao desenvolvimento e ao progresso do país. Entre estes havia quem achasse que o “progresso” só seria viável se os trabalhadores negros fossem substituídos por imigrantes europeus. Para eles, não só a escravidão, mas também os escravos eram empecilhos ao desenvolvimento do país. Eles esperavam que a abolição fosse feita, não para melhorar a sorte dos negros escravizados, e sim para motivar a vinda de imigrantes europeus.

Mas havia quem pensasse o contrário e apostasse na abolição como o começo de um processo de modernização do país que traria benefícios para os ex-escravos e seus descendentes. Por isso defendiam reformas sociais que deveriam complementar a abolição.

A luta contra a escravidão e suas conseqüências sociais haveria de continuar por muito tempo depois da abolição. Além da ampliação de oportunidades econômicas para negros e mulatos, alguns abolicionistas defendiam reforma agrária e educação pública para todas as classes sociais. André Rebouças pregava mudanças na legislação que permitissem aos ex-escravos acesso à terra. Era o que ele chamava de “democracia rural”, uma espécie de reforma agrária que deveria promover a inclusão social dos ex-escravos. Para Rebouças a luta contra a escravidão não podia ser desligada da luta pela cidadania dos ex-escravos e dos seus descendentes. Já Luiz Gama sempre associou o fim da escravidão à luta contra a discriminação racial, pela educação formal e cidadania negra. O seu empenho em denunciar o preconceito racial lhe rendeu muita fama. No poema conhecido como Bodarrada ele lamentou por aqueles que não reconheciam a sua negritude:

Se negro sou, ou sou bode,
Pouco importa. O que isto pode?
Bodes há de toda casta,
Pois que a espécie é muito vasta...
Há cinzentos, há rajados,
Baios, pampas e malhados,
Bodes negros, bodes brancos,
E, sejamos todos francos,
Uns plebeus, e outros nobres,
Bodes ricos, bodes pobres,
Bodes sábios, importantes,
E também alguns tratantes

O termo bode era usado na época para denominar o mestiço filho de negro com branco. Com esses versos Luiz Gama lembrava aos brancos do Brasil que eles também, na sua maioria, tinham ascendência africana.

A situação dos ex-escravos no pós 13 de Maio.

O escritor Machado de Assis caracterizou as festas populares que se seguiram à promulgação da Lei Áurea como “o único delírio popular que me lembro de ter visto”. Nas principais cidades milhares de pessoas foram às ruas para celebrar o fim do cativeiro.

Passada a festa, os ex-escravos procuraram distanciar-se do passado de escravidão rechaçando papéis inerentes à antiga condição. Em diversos engenhos do Nordeste eles se negaram a receber a ração diária e a trabalhar sem remuneração. Inegavelmente, os dias que se seguiram à abolição foram momentos de tensão, pois estavam em disputa as possibilidades e limites da condição de liberdade.

Para os ex-escravos e para as demais camadas da população negra, a abolição não representou apenas o fim do cativeiro. Para eles a abolição deveria ter como conseqüência também o acesso à terra, à educação e aos mesmos direitos de cidadania que gozava a população branca. Na ausência de qualquer iniciativa séria por parte do governo para garantir um futuro digno aos negros brasileiros após o dia 13 de maio, um grupo de libertos da região de Vassouras, no Rio de Janeiro, endereçou uma carta a Rui Barbosa, então figura importante da política nacional. Na carta, eles reivindicavam que os filhos dos libertos tivessem acesso à educação.

A abolição estava prestes a completar um ano, a monarquia entrara em colapso e aquelas pessoas, ex-escravos, agora tinham planos de ascensão social para seus filhos. E, ao contrário do que proclamavam alguns abolicionistas, aqueles libertos tinham, sim, uma interpretação própria do que seria cidadania. Para eles, uma das for mas de inclusão dos negros na sociedade de homens livres seria através da “instrução pública”, como se dizia então. Cientes da importância do que pleiteavam, os autores da carta alertavam que, “para fugir do perigo em que corremos por falta de instrução, vimos pedi-la para nossos filhos e para que eles não ergam mão assassina para abater aqueles que querem a república, que é a liberdade, igualdade e fraternidade”. Não sabemos se a carta teve resposta, mas é sabido que nenhum plano educacional foi elaborado tendo em vista a inclusão social dos filhos de ex-escravos. Importante observar que essas aspirações ainda são reivindicadas pelo povo negro no Brasil republicano.

Curiosidades e citações:
Na Inglaterra, a primeira reação contra a escravidão ocorreu na segunda metade do século XVIII, partindo de uma seita protestante radical, os Quakers. Eles consideravam a escravidão um pecado e não admitiam que um cristão pudesse tirar proveito dela. Em 1768, enviaram ao parlamento uma solicitação pedindo o fim do tráfico de escravos. Pouco depois, John Wesley, o fundador do movimento metodista, pregou contra a escravidão afirmando que preferia ver as colônias inglesas do Caribe naufragarem do que manter um sistema que “violava a justiça, a misericórdia, a verdade”. Em 1787, um grupo militante chamado Os Santos (The Saints), liderado por William Wilberforce, organizou a Sociedade Antiescravista (Anti-slavery Society). Graças às pressões dessa sociedade, contra os interesses escravistas das cidades de Liverpool e Bristol, foram abolidos o tráfico em 1807 e a escravidão em 1834. Com este último ato foram libertos 776 mil escravos, mantidos porém sob um regime de “aprendizado”. Sob pressão dos libertos o aprendizado foi abolido em 1838 e a liberdade definitiva conquistada
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As diversas associações abolicionistas que surgiram a partir de 1860, promoviam reuniões festivas nas quais eram feitas coletas de dinheiro para a alforria de algum escravo ou escrava. Nesses encontros rolavam muita música executada por filarmônicas, recitais de poesia e discursos exaltados condenando a escravidão. No começo essas reuniões eram pouco concorridas, mas na década de 1880 elas chegaram a reunir milhares de pessoas nas ruas e praças das grandes cidades. Essas manifestações abolicionistas impressionaram aos contemporâneos pela quantidade de pessoas mobilizadas. Depois do movimento pela independência, em 1822, foram as maiores manifestações de rua no Brasil oitocentista. Foi nesse contexto que brilharam figuras bem falantes e carismáticas como José do Patrocínio, Joaquim Nabuco e Rui Barbosa.
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Joaquim Nabuco – O Abolicionismo, 1883Extraído de:
Uma história do negro no Brasil / Wlamyra R. de Albuquerque, Walter Fraga Filho. _Salvador: Centro de Estudos Afro-Orientais; Brasília: Fundação Cultural Palmares, 2006.

“... a pátria, como mãe, quando não existe para os filhos mais infelizes, não existe para os mais dignos...”
“O Abolicionismo, porém, não é só isso e não se contenta com ser o advogado ex-officio da porção da raça negra ainda escravizada; não reduz a sua missão a promover e conseguir – no mais breve prazo possível – o resgate de escravos e ingênuos. Essa obra – de reparação, vergonha ou arrependimento, como a queiram chamar – da emancipação dos atuais escravos e seus filhos é apenas a tarefa imediata do Abolicionismo. Além dessa, há outra maior, a do futuro: a de apagar todos os efeitos de uma regímen que, há três séculos, é uma escola de desmoralização e inércia, de servilismo e irresponsabilidade para a casta dos senhores, e que fez do Brasil o Paraguai da escravidão”

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Questão - 9o Ano - Dever de Casa

Observe a imagem e responda:

RELACIONE a pintura e seu nome ao contexto cultural pré-guerra. EXPLIQUE por que o autor do comentário da pintura considera o título “irônico”. (máx. 10 linhas).
 
 
 
 
 

domingo, 6 de fevereiro de 2011

9o Ano - Correção do Cap 01

Correção Cap 01 – Tá Ligado

9º Ano – 2011

01 –
- A base da resposta está no roteiro. É o tópico de Imperialismo. Na resposta o aluno deve ser capaz de explicar como o surgimento do Imperialismo aumenta as tensões entre os países na Europa. Ao fazer com que os Estados passassem a defender suas economias, ou seja, suas empresas, disputas que antes eram apenas comerciais passam a ser também políticas.
- Num momento de extrema valorização do Nacionalismo, os países europeus, em disputa por novos mercados e colônias, começam a se armar cada vez mais, fazendo surgir um forte militarismo.

02 –
-O Nacionalismo foi usado como arma de propaganda no início do conflito. A população, fortemente apegada ao sentimento nacionalista, foi muito influenciada pela propaganda governamental, que colocava a guerra como uma guerra em defesa pelos ideais da pátria e a favor do seu engrandecimento.
-Cada país fazia propagandas colocando o outro lado, os inimigos, como culpados pela guerra e afirmando que o cidadão que não lutasse era antipatriota.

03 –
Paz Armada
Resposta na página 17, parágrafos 1 e 2 do subtítulo “Disputa por mercados”.

04 –
Resposta:
Página 21, parágrafos 02 e 03.
Página 23, parágrafo 01.

05 –
Resposta:
Página 24, parágrafos 01 e 02 do subtítulo “Os 14 pontos de Wilson”.
Para completar a resposta e entender por que os 14 Pontos foram negados, o aluno deve lembrar do Revanchismo Francês e dos interesses Ingleses de neutralizar a competição da Alemanha.

06 –
Resposta:
Página 24, parágrafos 01, 02 e 03 do subtítulo “O Tratado de Versalhes”.

Texto Complementar - Guerra do Paraguai

Artigo -

Controvérsias da Historiografia sobre as causas do conflito

Thiago Rabelo Sales
Graduando em História pela Universidade Federal de Ouro Preto

Introdução

A discussão historiográfica acerca do conflito com o Paraguai é tema sempre em voga nos debates entre historiadores sendo alvo de inúmeras revisões que, em sua maioria, visavam atender a interesses oficiais. Dentro deste tema tão abrangente, sobre o qual ainda há muito a se pesquisar, estaremos enfocando, no presente artigo, as discordâncias acerca das possíveis causas do combate, deste que foi o conflito mais violento ocorrido entre nações da América do Sul.

O artigo está dividido em quatro partes. Na primeira, discursaremos acerca da corrente interpretativa das primeiras décadas do pós-guerra, que é composta por muitos diários de guerra que tratam dos horrores das batalhas de forma bastante apaixonada. Na segunda, nos preocuparemos com a corrente revisionista da primeira metade do século XX, marcada por uma nova visão que trata o Paraguai como grande vítima de uma conspiração comandada pela

Inglaterra. Na terceira parte, mostraremos o que há de mais novo produzido pela historiografia brasileira, acerca da Guerra da Tríplice Aliança. Em cada uma dessas partes trataremos das diferentes correntes, demonstrando suas principais diferenças e seus principais defensores. Por fim, na quarta e última parte do texto, apresentaremos algumas conclusões e justificativas para que se possa entender um pouco melhor o debate existente acerca das causas do conflito.

Os primeiros escritos

Ao final da Guerra do Paraguai, em 1870, teve início a produção literária acerca do conflito. A geração de combatentes que participou ativamente das batalhas nos territórios do Brasil, Argentina e Paraguai não tinha dúvidas de que o ditador paraguaio havia sido o responsável pelo início e pela longa duração da Guerra. Em muitos momentos, sabia ele estar derrotado, mas este preferiu não se entregar e, dessa forma, acabou por não poupar milhares de vidas do lado paraguaio. Além disso, utilizou, nos episódios finais da Guerra, crianças paraguaias com menos de dez anos de idade como soldados em seu Exército! Nesses primeiros relatos, em sua maioria Diários de Guerra, os autores procuram exaltar a figura dos soldados brasileiros, minimizando, inclusive, o papel dos Exércitos Argentino e Uruguaio na Guerra. É importante ressaltar, o contexto político que se passava internamente no Brasil nessa época. Os adeptos do positivismo pressionavam pelo fim da Monarquia e a implementação da República, fato que refletia diretamente sobre o Imperador em todas as suas decisões. Além disso, havia muita pressão em torno da abolição da escravidão, já que soldados que saíam do Brasil para lutar na Guerra do Paraguai tinham, em seu regresso, o direito de serem alforriados.

Quando a primeiras publicações começaram a surgir, um traço marcante chamou a atenção de seus leitores para as causas do conflito: a maioria dos autores ressaltava a ambição que o ditador paraguaio tinha em relação ao território brasileiro. O General Dionísio Cerqueira nos diz em suas Reminiscências da Campanha do Paraguai1, considerada uma fonte primária impressa pela historiografia por ser um diário de Guerra publicado de um ex-soldado do Exército brasileiro que esteve no campo de batalha, que:

“O ditador do Paraguai, que se preparava, desde muito, para a realização de seus projetos de expansão e supremacia na América meridional, aproveitou a invasão (brasileira no Uruguai. T.R.S.) como pretextos para um rompimento (das relações com o Brasil. T.R.S.)”2.

Antonio de Sena Madureira em seu livro Guerra do Paraguai3, também culpa Solano Lopes pela Guerra. Segundo Sena Madureira, os brasileiros só empunharam as armas “... para repelir o inimigo que inesperada e traiçoeiramente invadiu uma de nossas mais importantes províncias, aprisionou um alto funcionário e outros súditos brasileiros...”4. Ainda sobre esse livro, devemos ressaltar que ela é uma resposta crítica à obra de Jorge Thompson “Guerra Del Paraguay5” que, segundo Sena Madureira, minimiza a atuação dos “bravos” Exércitos e Marinha do Brasil. Além disso, segundo Madureira, Thompson exagera em números de baixas, principalmente, pelo lado do Brasil ao longo do conflito. Um relato bastante interessante sobre este conflito, foi o deixado pelo General prussiano Max von Versen em sua História da Guerra do Paraguai6. Em sua obra, o autor afirma que veio à América apenas para acompanhar do próprio teatro de Guerra o desenrolar dos acontecimentos. Max von Versen nutria certa antipatia pelos brasileiros, devido à sua prisão logo após seu desembarque em terras brasileiras. Para os brasileiros, Von Versen teria sido chamado por Solano Lopes para auxilia-lo e comandar o Exército paraguaio em algumas operações. Em sua obra, Von Versen conta o dia-a-dia dos acampamentos paraguaios, falando da falta de recursos básicos (como comida, roupas, etc.) e da inacessibilidade de Solano Lopes que, segundo o autor, por ele só era visto à distância. Uma observação importantíssima que o autor faz é a seguinte:

“O Paraguai era país completamente ignorado quando Lopes arriscou contra a República Argentina e contra o Brasil aquela luta que, nas proporções territoriais dos beligerantes se poderia comparar à guerra desigual entre Reino da Prússia e o ducado de Anhal..7”.

A importância dessa citação veremos mais adiante, quando abordarmos a corrente revisionista. Essa enaltece a nação paraguaia por seu desenvolvimento e defende certo receio da Inglaterra quanto a isso. Não nos esqueçamos da origem do Sr. von Versen, prussiano. Ou seja, são palavras vindas da Europa sobre o país guarani.

O revisionismo histórico do início do séc. XX

Ainda no final do século XIX surge uma nova corrente contestando a causa da Guerra como sendo exclusivamente culpa do ditador paraguaio. Entre os brasileiros, os positivistas, contrários à forma de regime monárquico de governo, passaram a responsabilizar o Império do Brasil como grande culpado pelo conflito. Na década de 1960, surge no Paraguai um forte grupo literário que reconstrói a imagem do General Francia, de Carlos Antônio Lopes e, principalmente, de Solano Lopes, apresentado-os como verdadeiros defensores dos interesses paraguaios, que teriam assumido uma postura de estadistas pensando exclusivamente no desenvolvimento econômico do Estado Paraguaio. Destaca-se a figura de Solano Lopes, como exímio General de guerra e grande líder antiimperialista.

Essa corrente historiográfica apresentava o Paraguai como uma potência entre os países da América do Sul. Desenvolvido e industrializado, um país com índice de analfabetismo praticamente zero, um exército permanente maior e mais bem treinado do que qualquer outro da América do Sul, extremamente disciplinado, o Paraguai teria, graças a seus ditadores que centralizaram em suas figuras todo o poder e responsabilidades possíveis, fechado suas portas à entrada do capitalismo britânico.Dessa forma, fugiu da inserção dependente no mundo capitalista, o que o tornaria mais uma nação dependente do capital estrangeiro, principalmente da Inglaterra. Por isso, Brasil e Argentina teriam sido manipulados pela Inglaterra para combater o desenvolvimento autônomo do Paraguai abrindo o mercado do país platino ao capital estrangeiro. Dentro desse grupo de historiadores, destacamos León Pomer, historiador argentino, que publicou obras como Guerra do Paraguai: a grande tragédia rioplatense8(do original “La Guerra del Paraguai: Gran Negócio!”), e Guerra do Paraguai: nossa guerra contra esse soldado9. Em suas obras, Pomer traz sempre grandes estudos com ênfase na economia dos países envolvidos no conflito durante o período da guerra, com várias representações dos empréstimos por eles contraídos junto aos Bancos particulares ingleses. Para ele, a Inglaterra conseguiu aumentar a dependência de países como Argentina e Brasil, já que estes contraíram dívidas enormes com os bancos ingleses. Nas palavras do próprio autor com relação à Guerra: “O único e verdadeiro beneficiário é a Inglaterra... 10”.

No Brasil, o maior representante dessa vertente foi o jornalista Júlio José Chiavenatto com o seu Genocídio Americano: a verdadeira história da Guerra do Paraguai11. Este livro publicado no final da década de 70 ensinou gerações de estudantes que a Inglaterra, ao destruir o Paraguai, consolidaria sua posição hegemônica na América do Sul, acabando com seu último Estado independente e livre em relação ao capitalismo. Assim, abriria mais um mercado para seus produtos manufaturados. Em relação à literatura do Pós-Guerra e defendendo sua teoria, Chiavenatto faz a seguinte crítica: “Substitui-se então uma história crítica, profunda, por uma crônica de detalhes onde o patriotismo e a bravura dos nossos soldados encobrem a vilania dos motivos que levaram a Inglaterra a armar brasileiros e argentinos para a destruição da mais gloriosa República que já se viu na América Latina. Uma República, a do Paraguai, que se não fosse destruída, assassinada junto com seu povo, modificaria por completo a própria história dos americanos que teriam, muito provavelmente, todos os elementos para se libertarem do jugo de tiranos mistificados de civilizadores como Mitre, de caudilhos criminosos como Venâncio Flores ou de meros joguetes nas mãos do capital internacional como Pedro II12”.

É importante notar nessa obra, como o autor exalta a figura do ditador paraguaio Francisco Solano Lopes e aponta o Paraguai como o grande agredido na Guerra. Até hoje, os paraguaios aprendem essa versão como a verdadeira e oficial do conflito. A imagem de Solano Lopes é tão exaltada por eles, que em Cerro Corá, lugar onde se deu a última batalha da Guerra, foi erguida uma cruz com a inscrição INRI, onde Solano Lopes foi morto e esquartejado pelo Exército Brasileiro. Tudo isso, numa comparação do líder paraguaio com Jesus Cristo, já que na parte superior da cruz de Jesus podemos observar a mesma inscrição. Além disso, em Cerro Corá há muitas referências aos que lutaram durante a Guerra, destacando-se aquela à “Panchito Lopes”, filho mais novo de Solano, que morreu na mesma batalha, então com 16 anos. Essa corrente, embora carente de fontes documentais, encontrou lugar em algumas obras como a de Paulo Miceli “O Mito do Herói Nacional13”, por exemplo, em que ele reafirma tudo o que foi proposto nas obras de Pomer e Chiavenatto.

Porém, essa foi uma corrente que encontrou muitos combatentes. Acyr Vaz Guimarães com seu livro Guerra do Paraguai: Verdades e Mentiras14 faz uma discussão inflamada sobre o livro de Chiavenatto. Para isso, ele escreve 214 tópicos, com a única preocupação de desmentir o que Chiavenatto escreveu em sua obra, sucesso editorial da década de 70/80. Um exemplo pode ser visto na transcrição que segue: “3. Diz, ao final, do seu utópico sonho dourado ... que os fatos da nossa história sobre a Guerra encobrem a vilania dos motivos que levaram a Inglaterra a armar brasileiros e argentinos para a destruição da mais gloriosa República que já se viu na América Latina (p. 10). Sim, gloriosa República, porque viver sob o jugo de três ditadores, um atrás do outro, e por fim destruída pelo último, a pátria paraguaia só pode ter sido e será sempre gloriosa!15”. A obra de Acyr tem um caráter muito mais passional do que propriamente o de uma obra com embasamento teórico e documental. Falta ao seu livro um pouco mais de solidez na argumentação, que analisado de forma séria, não passa de uma discussão nacionalista e que, em muitos momentos, tem um certo tom de deboche e arrogância em relação ao livro de Chiavenatto.

A corrente neo-revisionista da década de 90

A partir do final dos anos de 1980, surgiram no Brasil alguns trabalhos com uma nova abordagem da Guerra do Paraguai. Fundamentados em rica fonte documental, essa corrente propõe uma nova perspectiva a respeito das causas do conflito. Para eles, as principais motivações da Guerra foram as questões regionais, as disputas por territórios e por interesses de ambos os lados em ter um determinado controle sobre a valiosíssima Bacia do Prata. Além do fato de que a Guerra deve ser vista como uma fase do processo de formação das identidades regionais na região do Cone Sul. Para o Brasil, por exemplo, o Prata era a porta de entrada para a longínqua Província do Mato Grosso, o que tornaria o acesso até essa Província muito mais rápido, já que por terra, podemos comprovar, inclusive na Guerra, a demora do Exército Brasileiro em chegar ao Mato Grosso, o que, por vezes, ocasionou um número grande de perdas a esse Exército.

Outra grande preocupação dessa vertente é a de desmistificar a idéia de que o Paraguai era uma potência, tanto regional e, muito menos, mundial como defendia o revisionismo histórico da década de 1960. Ao contrário do que defenderam Chiavenatto e Pomer, o Paraguai é visto pelos neo-revisionistas como um país predominantemente agrário, que contava com apenas uma indústria em todo o seu território, além das condições de vida da população que eram muito ruins. Chega a ser risível acreditar que a Inglaterra sentiu em algum momento que sua hegemonia na região do Cone Sul na época fosse ameaçada pelo Estado Paraguaio. Da mesma forma, não dá para acreditar que o Paraguai tinha uma importância e o poder de liderar um bloco de países da América do Sul numa “Cruzada” contra o Imperialismo Britânico.

Essa corrente tem como maiores representantes Alfredo da Mota Menezes com o ótimo “Guerra do Paraguai: como construímos o conflito”16; e Ricardo Salles com o seu “Guerra do Paraguai: escravidão e cidadania na formação do Exército”17. Em 1994, realizou-se na Biblioteca Nacional um colóquio denominado de “Guerra do Paraguai- 130 anos”. Nesse evento, estavam reunidos pesquisadores brasileiros, argentinos, ingleses, paraguaios e peruanos, que debateram durante todo o dia sobre este assunto que ainda é considerado um dos mais polêmicos da história da América Latina. As palestras proferidas foram transformadas em artigos que, sob a organização de Maria Eduarda Marques, deram origem à “Guerra do Paraguai-130 anos depois”18, excelente coletânea, já que traz a opinião dos maiores especialistas sobre o assunto, sobre diversos aspectos do conflito. Vale destacar o misto de nacionalidades que compuseram o volume. Mas, o maior representante dessa corrente é Francisco Doratioto com seu fantástico “Maldita Guerra: nova história da Guerra do Paraguai”19. Fruto de aproximadamente 15 anos de pesquisas, três deles morando no Paraguai, o livro é leitura obrigatória para aqueles que querem se aventurar a estudar o conflito do Prata. Trazendo metodologias inovadoras e analisando farta documentação, a obra de Doratioto desmente, logo em seu primeiro capítulo, a tese dos revisionistas de que a Inglaterra teria o interesse no conflito entre as quatro nações. Para isso, Doratioto apresenta uma carta do representante diplomático britânico em Buenos Aires, Edward Thornton, dirigida ao ditador paraguaio, se disponibilizando para evitar uma Guerra entre o Paraguai e o Brasil.

Doratioto vê em outros fatores as causas do conflito. Para ele, o Paraguai era um país localizado no centro de vários pontos polêmicos entre os países que formaram a Tríplice Aliança. Em relação ao Brasil, o Paraguai tinha sérias divergências territoriais e com relação à navegação da Bacia do Prata, à época, único acesso direto à Província do Mato Grosso. A Argentina, por sua vez, temia uma invasão paraguaia que ameaçasse a consolidação e unificação do Estado Nacional Argentino. Além disso, a Argentina tinha interesse em anexar parte da região do Chaco paraguaio. Já o Uruguai, assim como a Argentina, preocupava-se com a consolidação do seu Estado Nacional, uma vez que Solano López manifestou publicamente apoio ao Partido Blanco, que era oposição aos Colorados que detinham o poder e eram apoiados pelos brasileiros; além disso, Solano López via Montevidéu como a saída para o mar com a qual o Paraguai sempre sonhara e necessitava para negociar seus produtos com o resto do mundo. Por meio desse conjunto de fatores e da agressão sofrida pelo Brasil por meio da invasão do Mato Grosso, Doratioto vê as causas do conflito com um enfoque mais regional, rejeitando a hipótese de que o imperialismo inglês seria o responsável pelo desencadear da Guerra. O autor destaca também que, a partir de 1840, o Brasil tinha uma política em relação ao Paraguai voltada para três objetivos: conseguir o acesso ao Mato Grosso através do rio Paraguai, delimitar de vez as fronteiras com o país guarani e, por último, conter a influência da Argentina sobre o Paraguai. Esses objetivos foram fundamentais para definir a política externa do Brasil antes, durante e depois da Guerra.

Conclusões

Ao finalizarmos nossa análise das três correntes historiográficas que debatem em torno da Guerra do Paraguai, observamos alguns poucos pontos em comum e muitos pontos diferentes. Temos de ressaltar relatos como o de Max von Versen, por exemplo, que vindo da Prússia admitia a pouca ou nenhuma expressão do Estado Paraguaio na conjuntura mundial. Enquanto isso, os revisionistas parecem ignorar este tipo de relato e forjar um Paraguai forte e industrializado, com uma economia estável e sólida. A corrente Pós-Guerra justificou a Guerra como sendo um capricho do Ditador

Paraguaio, que com sua ambição e extrema crueldade, subestimou o Exército brasileiro, e queria conquistar toda a América do Sul, formando, assim, um grande bloco anticapitalista, colocando todos os países sul-americanos sob sua chancela. Essa corrente tem suas razões em alguns momentos da Guerra se avaliarmos as atitudes e decisões tomadas por Solano Lopes em alguns episódios do conflito, mas carece de documentação que a sustente, além, é claro, de ter se constituído num momento em que o sentimento de nacionalismo estava bastante aflorado.

Já a vertente revisionista da década de 1960, que aponta para uma releitura da figura de Solano Lopes, desta vez como grande General e líder antiimperialista, e coloca a nação Paraguaia como uma potência, até mesmo a nível mundial, acredita que a principal causa do conflito tenha sido a defesa dos interesses do capital britânico, já que o Paraguai era um país auto-suficiente, fechado a investimentos estrangeiros. Essa corrente, no entanto, carece de documentação para mostrar uma verdadeira consistência em seus argumentos. Além disso, é preciso ressaltar que ela surge num momento conjuntural de Ditaduras, tanto no Paraguai (com o General Alfredo Stroesner), quanto no Brasil (com o Golpe de 64). Essas ditaduras se justificavam em cima das figuras dos Heróis Nacionais, o que fez com que essa vertente ganhasse tamanho eco em nossa historiografia.

Por fim, a corrente neo-revisionista, surgida em finais da década de 1980 e princípio da de 90, delega a responsabilidade da Guerra às questões regionais, disputas por áreas fronteiriças, a intervenção brasileira no Uruguai (o que interferia no escoamento da produção paraguaia pelo porto de Montevidéu) e da agressão inicial feita pelo Governo Paraguaio. Para eles, a Guerra poderia ser evitada, mas não havia como o Brasil fugir dela. Essa corrente, mais sólida em argumentação, leva uma grande vantagem sobre as outras duas, já que teve acesso maior aos Arquivos Públicos e Privados. Além de utilizar uma metodologia mais moderna e completa que as outras duas, esses historiadores tiveram a oportunidade de pesquisar num momento bem tranqüilo da nossa história em relação ao conflito em questão. Esses fatores tornaram os trabalhos escritos por essa vertente mais imparciais e menos tendenciosos, características marcantes nas outras gerações.


Citações e Referências:

1 CERQUEIRA, Dionísio. Reminiscências da Campanha do Paraguai. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1980.
2 CERQUEIRA, Dionísio. Reminiscências da Campanha do Paraguai. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército,1980, p46.
3 MADUREIRA, Antônio de Sena. Guerra do Paraguai: resposta ao Sr. Jorge Thompson, autor da “Guerra del Paraguay e aos anotadores argentinos. Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1982 [1ª Edição 1870].
4 MADUREIRA, Antônio de Sena. Guerra do Paraguai: resposta ao Sr. Jorge Thompson, autor da “Guerra del Paraguay e aos anotadores argentinos. Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1982 (1ª Edição:1870), p10.
5 THOMPSON, George. Guerra del Paraguay. Assunção: RP Ediciones, 1992 [1ª Edição 1869].
6 VERSEN, Max von. História da Guerra do Paraguai. Belo Horizonte/ São Paulo: Editora Itatiaia/ Editora da USP, 1976.
7 VERSEN, Max von. História da Guerra do Paraguai. Belo Horizonte/ São Paulo: Editora Itatiaia/ Editora da USP, 1976. p.14.
8 POMER, León. Guerra do Paraguai: a grande tragédia rioplatense. 2ª Edição. São Paulo: Global Editora, 1981.
9 Ibdem. Guerra do Paraguai: nossa guerra contra esse soldado. 7ª Edição. São Paulo: Global Editora, 2001.
10 POMER, León. A Guerra do Paraguai -A grande tragédia rioplatense. p303.
11 CHIVENATTO, Júlio José. Genocídio Americano: a verdadeira história da Guerra do Paraguai. São Paulo: Editora Brasiliense, 1979.
12 Ibdem. p10.
13 MICELI, Paulo. O Mito do Herói Nacional. São Paulo: Editora Contexto, 1988
14 GUIMARÃES, Acyr Vaz. Guerra do Paraguai: Verdades e Mentiras. Campo Grande: Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, 2000
15 GUIMARÃES, Acyr Vaz. A Guerra do Paraguai: verdades e mentiras. Campo Grande: Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, 2000, p. 13.
16 MENEZES, Alfredo da Mota. Guerra do Paraguai: como construímos o conflito. São Paulo/ Cuiabá: Contexto/ Editora da UFMT, 1998.
17 SALLES, Ricardo. Guerra do Paraguai: escravidão e cidadania na formação do Exército. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990.
18 MARQUES, Maria Eduarda Castro Magalhães (org.). Guerra do Paraguai-130 anos depois. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1995
19 DORATIOTO, Francisco F. Monteoliva. Maldita Guerra: nova história da Guerra do Paraguai. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

Bibliografia Consultada

CARVALHO, José Murilo de. A Construção da ordem: a elite política imperial. Rio de Janeiro:Editora Campus,1980.
CERQUEIRA, Dionísio. Reminiscências da Campanha do Paraguai. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1980.
CHIVENATTO, Júlio José. Genocídio Americano: a verdadeira história da Guerra do Paraguai. São Paulo: Editora Brasiliense, 1979.
DORATIOTO, Francisco F. Monteoliva. Maldita Guerra: nova história da Guerra do Paraguai.São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
GUIMARÃES, Acyr Vaz. Guerra do Paraguai: Verdades e Mentiras. Campo Grande: Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, 2000.
MADUREIRA, Antônio de Sena. Guerra do Paraguai: resposta ao Sr. Jorge Thompson, autor da “Guerra del Paraguay e aos anotadores argentinos. Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1982 [1ª Edição 1870].
MARQUES, Maria Eduarda Castro Magalhães (org.). Guerra do Paraguai-130 anos depois. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1995.
MENEZES, Alfredo da Mota. Guerra do Paraguai: como construímos o conflito. São Paulo/ Cuiabá: Contexto/ Editora da UFMT, 1998.
MICELI, Paulo. O Mito do Herói Nacional. São Paulo: Editora Contexto, 1988
POMER, León. Guerra do Paraguai: a grande tragédia rioplatense. 2ª Edição. São Paulo: Global Editora, 1981.
____________. Guerra do Paraguai: nossa guerra contra esse soldado. 7ª Edição. São Paulo: Global Editora, 2001.
SALLES, Ricardo. Guerra do Paraguai: escravidão e cidadania na formação do Exército. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990.
VERSEN, Max von. História da Guerra do Paraguai. Belo Horizonte/ São Paulo: Editora Itatiaia/ Editora da USP, 1976.

Roteiro II Reinado - Continuação - Segunda Parte

Continuação do Roteiro


Política Externa e Declínio do II Reinado.

Política Externa no II Reinado

A Questão Christie

No início da década de 1860:
- Roubo da carga de um navio inglês naufragado no litoral do Rio Grande do Sul. O embaixador inglês exige o pagamento de uma indenização pela carga.
- Três marinheiros ingleses são presos por arruaça no Rio de Janeiro. Mesmo com a imediata soltura dos mesmos o embaixador inglês volta e exigir o pagamento da carga do navio, além da demissão dos policiais que fizeram a prisão dos marinheiros, e um pedido formal de desculpas do governo brasileiro.
- D. Pedro II leva a questão a arbitramento internacional (Leopoldo I da Bélgica decidiria a querela). Entretanto ele habilmente paga a indenização da carga antes, ficando pendente apenas a questão dos marinheiros.
- Em 1863 a questão é decidida favoravelmente ao Brasil. Diante da negativa inglesa de se desculpar, o Brasil rompe relações com a Inglaterra. Estas serão reatadas somente em 1865, após o início da Guerra do Paraguai.

A Questão Platina

- Era importante para o Brasil manter o equilíbrio de poder na região platina. O principal acesso à região centro-oeste brasileira era feito através da navegação dos rios Uruguai e Paraná, portanto dependia das relações do Brasil com os outros países da região.
- Em 1851 o Brasil invade o Uruguai para ajudar a colocar no poder o partido Colorado (que era mais ligado à monarquia brasileira). A Argentina que apoiava o partido Blanco também invade o Uruguai para garantir que este partido se mantivesse no poder.
- O Brasil, aproveitando de uma revolta contra o presidente argentino, iniciada por um general argentino chamado Urquiza, tem uma dupla vitória. No Uruguai o partido Colorado assume o poder e na Argentina, Urquiza, apoiado pelo Brasil, assume o poder. Iniciam-se dois regimes não hostis contra a monarquia brasileira nestes dois países.

A Guerra do Paraguai (1864-70)

- Em 1864 o Brasil invade o Uruguai para colocar o partido Colorado novamente no poder.
- Solano Lopez (presidente paraguaio) que apoiava os Blancos rompe relações com o Brasil e invade o Mato Grosso e duas províncias do norte da Argentina.
- Brasil, Uruguai e Argentina se unem contra o Paraguai no tratado da Tríplice Aliança. O acordo já era estudado mesmo antes do início das hostilidades, previa até mesmo a divisão das terras paraguaias entre Brasil e Argentina.
- Solano López é morto em 1870, o Paraguai é devastado. A guerra foi uma carnificina, pelo menos metade da população paraguaia morreu e seguramente mais de 80% da população masculina adulta morreu.


0bs.: Ler o texto complementar que explica a evolução das interpretações históricas sobre a Guerra do Paraguai.
O Declínio do Império

- Após a Guerra do Paraguai o imperador passará a sofrer pressões dos mais variados grupos. Dentre estes destacam-se o Exército, que após ser acionado durante a guerra desejava mais atenção e recursos por parte do governo além de se politizar, e os abolicionistas e republicanos.

O Abolicionismo:

- A extinção do tráfico já estava prevista em uma lei regencial de 1831, mas era flagrantemente descumprida. “Lei para inglês ver”.
- A diplomacia inglesa fazia pressão e a marinha real da Inglaterra dificultava o tráfico pelo Atlântico.
- Logo após a implementação das Tarifas Alves Branco em 1844 a Inglaterra promulga o Bill Aberdeen (1845), lei unilateral que proibia o tráfico de escravos pelo Atlântico e autorizava a marinha inglesa a prender embarcações negreiras e julgar a tripulação segundo leis inglesas;
1850 – Eusébio de Queiroz – fim efetivo do tráfico.
- A partir de 1850 o tráfico interno, que esvaziava de cativos as regiões economicamente menos dinâmicas e os concentrava nas mãos dos cafeicultores do sudeste, começava a fazer com que grandes setores da sociedade se descomprometesse com o escravismo, facilitando o alastramento do discurso abolicionista.
- Após o fim da Guerra de Secessão (EUA) o Brasil destacava-se como o único país livre a ser escravocrata na América.
- Ao fim da Guerra do Paraguai o exército tornava-se progressivamente uma instituição de tendências abolicionistas (muitos escravos e ex-escravos integraram o exército durante a guerra, o governo prometia a alforria para os escravos que participassem do conflito).

1871 – Lei do Ventre Livre
- Declarava “livre” os filhos de escravos nascidos a partir desta data.
- Ficariam sob tutela do proprietário da mãe até os 8 anos, quando este decidiria se receberia uma indenização ou exploraria o “ingênuo” até os 21 anos.

- Existiram dois posicionamentos sobre a lei quando esta foi feita
- posicionamento da burocracia governamental: sobretudo após a guerra do Paraguai, que contou com a participação de escravos no exército, ficou evidente a fragilidade da sociedade brasileira diante dos escravos. O medo da eclosão de revoltas escravas deveria ser eliminado abrindo-se a possibilidade da libertação.
- posicionamento dos grandes proprietários e classe social dominante em geral: tirar das mãos do proprietário o direito de alforriar, e atribuir este poder a uma lei, diminuía a lealdade do escravo para com o proprietário, e isso sim abria precedentes para revoltas.
- A votação
- Deputados do Nordeste – 39 votos a favor, 6 contra.
- Deputados do Sudeste – 30 votos contra, 12 a favor.
- Entre os partidos não há divisão clara de votos, tanto Luzias quanto Saquaremas votaram contra e a favor.

1885 – Lei dos Sexagenários
- Tornava livre o escravo com mais de 65 anos.
- Além de beneficiar uma minoria a lei liberava os proprietários dos custos de manter os escravos em idade não produtiva.

- Desde a Lei do Ventre Livre ficou clara a associação entre a monarquia e a escravidão.
- Em 1884 Ceará e Amazonas abolem a escravidão em suas províncias.
- A campanha abolicionista ganha muita força em meados da década de 1880. Figuras como José do Patrocínio, André Rebouças e Luís Gama passam a vincular suas opiniões nos jornais. Diferentes vertentes do abolicionismo atuam ao mesmo tempo.
- Surgem casos de fugas em massa de escravos das fazendas cafeicultoras. A cidade de Santos, em SP, abriga inúmeros escravos fugidos.

13 de Maio de 1888 – Lei Áurea
- Fim da escravidão.

- O abolicionismo em sua maior parte não foi um movimento humanista e bondoso que defendia o direito à liberdade da população negra. Muito pelo contrário boa parte do discurso abolicionista era marcantemente racista e pretendia acabar com a escravidão por esta ser um sistema de trabalho marcadamente negro e africano. A abolição seria o primeiro passo para “embranquecer” o Brasil e limpar a influência negra que “prejudicava a civilização”.
- Considera-se que a Lei Áurea retirou o último pilar de sustentação da monarquia, ao optar por uma abolição incondicional (sem indenizações).

O Republicanismo

1870 – Manifesto Republicano: publicado no rio por membros mais radicais do Partido Liberal.
1870 – É fundado o Partido Republicano no Rio e em 1873 é fundado o PRP (Partido Republicano Paulista).

- Existem duas correntes do movimento republicano:
- Reformista, que defendia uma transição pacífica e de preferência, após a morte do imperador.
- Radical, pregava a necessidade de uma transição mais rápida e radical, em alguns casos incluindo a participação popular.

- O republicanismo se difunde por SP, que há tempos era o centro econômico do país, mas ficava afastado do poder pela centralização política na corte carioca.
- Uma das bandeiras do republicanismo era o federalismo. A possibilidade de autonomia regional agradava a diversas elites locais (sobretudo a paulista). O único atrativo do império parecia ser a escravidão.
- Em suas bases urbanas, o republicanismo agradava aos profissionais liberais e importantes jornalistas, com as ideias de ampliação da representação política, direitos e garantias individuais, federação e uma certa associação entre república e fim da escravidão.
- Por volta de 1880 existiam cerca de 180 clubes republicanos no país.

Deterioração da relação entre a Monarquia e a Igreja.

- Em 1870 um dos concílios do Vaticano proclamaram a infalibilidade das decisões papais.
- No Brasil, o Imperador tinha importante influência na estrutura eclesiástica.
- A intervenção do imperador em vários conflitos entre o clero e os maçons (muitos dos quais membros do governo) gera um grande desgaste entre a Monarquia e a Igreja.

A Questão Militar.

- Após o Primeiro Reinado, sobretudo no Período Regencial, com a formação da Guarda Nacional, o Exército foi deixado de lado pelo governo.
- O caudilhismo da América Latina assustava os dirigentes imperiais, que passaram a temer um exército forte e autônomo.
- Com pagamentos ruins e lentidão nas promoções, a oficialidade do exército passou a atrair pessoas de origem menos elitista, filhos dos próprios militares, jovens de famílias proprietárias decadentes do nordeste ou da instável região platina.
- Com a Guerra do Paraguai o exército voltou à cena pública e passou a reivindicar melhorias salariais, na estrutura hierárquica e no material bélico.
- A oficialidade do exército também passou a fazer ferozes críticas à burocracia do Império. A burocracia, composta, sobretudo de bacharéis em direito, era, na visão dos militares, corrupta, detentora de uma cultura inútil e que atrasava, com seu excesso de leis, o desenvolvimento do país.
- Cada vez mais o exército se aproximava das ideias republicanas, sobretudo em sua principal instituição de ensino, a “Escola Militar da Praia Vermelha”.
- A partir de 1870 um novo elemento se faz presente, o Positivismo passa a integrar a visão dos militares do exército.
- O Positivismo, formulado pelo francês Augusto Comte (1798-1857) atraiu os militares em alguns pontos específicos.
- Baseado no modelo Jacobino da Revolução Francesa e nos Cônsules romanos, o positivismo defendia um governo de executivo forte, que resguardasse os interesses do povo, mas principalmente os da república (o bem público).
- O governo deveria ser representativo, mas poderia afastar-se do povo quando este pusesse em risco a condução do bem público.
- Assim, o projeto republicano e mais ainda, positivista, do exército, era o de um governo forte, separado da Igreja, intervencionista, contrário ao tradicionalismo agrário, tecnicista e industrial.

A Crise Final do Império

- As oligarquias regionais (principalmente a paulista) reclamavam autonomia, o exército se queixava do abandono e da falta de expressão política, o abolicionismo crescia em uma sociedade cada vez menos comprometida com a escravidão.
- O pensamento positivista (que pregava “ordem e progresso” por meio da ciência) ganhava adeptos, principalmente entre o exército, e associava o Império ao atraso.
- A Lei Áurea, e o processo de abolição como um todo, retirara do império o apoio de sua base social de elite, os grandes cafeicultores escravocratas.
- Os jovens militares da Escola Militar da Praia Vermelha, inspirados pelos ideais positivistas, tentam convencer o Marechal Deodoro da Fonseca a aderir à causa republicana (Deodoro havia ganhado notoriedade ao negar-se a punir um tenente-coronel que criticou o império).
- Ainda no fim de 1888 o Parlamento, tentando manter seus privilégios, barrava uma série de reformas propostas pelo primeiro ministro para apaziguar a oposição. Ficava claro o esgotamento do Monarca, que dissolve a assembléia e convoca novas eleições.
- Dom Pedro II estava doente, com diabetes, o imperador se afastou bastante do jogo político e sua figura era importante para acalmar os ânimos e evitar medidas radicais.
- Em meio a rumores de uma suposta repressão do imperador, Deodoro assume o comando das forças militares do Rio, depõe o ministério e proclama a República no dia 15 de novembro de 1889.
- 2 dias depois o imperador parte com sua família para o exílio.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Texto Complementar - instruções

A postagem ficou meio feiosa, mas saiu. Clica na imagem e espera carregar. Arruma um pouquinho de paciência e copia tudo em um arquivo word, pra formatar bonitinho, ou monta um pdf, se vc tiver a manha.

Abraços,

Tiago Ávila.

Consegui! - Texto Complementar




Comentários Iniciais

Galera, de boa?
O Magnum SOL parece estar desativado mesmo. Então, por enquanto, usaremos este veículo arcaico aqui mesmo. Infelizmente eu sou uma toupeira e não sei colocar o formato de imagem que o Blog aceita, então não pude colocar o texto escaneado. Mas a matéria está aí, copiem e formatem a gosto. Mais tarde devo colocar algumas observações sobre o Período Regencial e mais alguma outra coisa que eu julgar importante.

Abraços!

Tiago Ávila.

Roteiro - II Reinado

Antecedentes:


- Período Regencial:

- Liberais Moderados, Liberais Exaltados, Caramurus.
- 1831: Guarda Nacional.
- 1832: Código de Processo Criminal.
- 1834: Ato Adicional.
- Revoltas Provinciais (Cabanagem, Sabinada, Balaiada, Farroupilha).
- Lei de Interpretação do Ato Adicional (maio de 1840).


O Segundo Reinado (1840-1889)

- Golpe da Maioridade (22 de julho de 1840): reaparecimento da figura política central, fechamento político. O período de discussões mais abertas em torno de diferentes propostas, proporcionado pela regência, chega ao fim.
- O golpe foi apoiado pelos liberais. Aproximaram-se de D. Pedro II e o apoiaram em troca da manutenção das conquistas liberais durante a regência.
- Após se tornar imperador, D. Pedro II assumira uma postura claramente moderada, marcando o isolamento das propostas mais exaltadas e mesmo dos liberais que apoiaram o golpe da maioridade.

Algumas medidas iniciais:
- É restabelecido o Conselho de Estado.
- O Código de Processo Criminal é reformulado em 1841 (centralizado no judiciário).
- Reforma da Guarda Nacional.

Resistências ao processo de centralização:

- Em maio o junho de 1942 alguns setores da elite de São Paulo e Minas Gerais rebelam-se contra o fortalecimento do poder central e a redução das prerrogativas provinciais. O processo de centralização não foi plenamente pacífico.
- Tanto em SP quanto em MG, os presidentes de província indicados pelo poder central foram depostos e os setores da elite aproximados dos liberais nomearam outros presidentes. Os atos ocorrem logo após o Imperador invalidar os resultados da eleição de 1840 (que foi intensamente fraudada e violenta), que havia dado a vitória na Câmara aos liberais.

- 1848 – A Revolta Praieira (Pernambuco)
- Iniciou-se com a não aceitação por parte dos liberais (liberais exaltados) da indicação de um novo presidente de província, conservador, indicado pelo ministério conservador da capital.
- Exigências: voto universal (sem exigência de renda), liberdade de imprensa, fim do poder moderador, federalismo, restrição do comércio de varejo apenas aos brasileiros (o comércio era dominado por portugueses), garantia de trabalho e direito a todos os cidadãos.
- A Praieira aproxima-se em alguns de seus questionamentos do contexto político e ideológico europeu. No mesmo ano acontecia na Europa uma série de processos revolucionários que ficou conhecido como “Primavera dos Povos”.
- Não se questionava a escravidão.
- Os líderes foram presos e anistiados em 1851.

- Considera-se que a Praieira marca o fim do ciclo de revoltas provinciais (muitas delas separatistas), sua derrota é a consolidação da proposta política centralista.

O Jogo Político:

- “Nada se assemelha mais a um ‘saquarema’ que um ‘Luzia” no poder”. Esta frase, do político pernambucano Holanda Cavalcanti, resume de forma muito eficiente a política do reinado, principalmente até o fim da Guerra do Paraguai em 1870.
- Saquaremas: conservadores, centralistas.
- Luzias: liberais, federalistas.
- Em termos de práticas políticas os dois partidos eram muito semelhantes..
- As eleições para a Câmara eram marcadamente violentas e fraudulentas.

- O imperador indicava os ministros até 1847, quando ele estabelece o “sistema parlamentarista”. A partir de então surge o cargo de Presidente do Conselho de Ministros (semelhante ao Primeiro-ministro) que era indicado por D. Pedro II, sendo no geral uma pessoa do partido que tinha maioria na Câmara, e o Presidente ficava encarregado de convocar o ministério.
- O parlamentarismo é uma grande jogada de D. Pedro II. Teoricamente representava uma descentralização do poder. O poder executivo passaria a ser dividido entre imperador e o Presidente do Conselho.
- Porém a existência do poder moderador, com todas as suas prerrogativas, vetava qualquer abertura política que poderia ser conquistada com o sistema parlamentar, já que o imperador podia demitir o Presidente do Conselho ou dissolver a Câmara a qualquer momento (em especial quando houvesse atrito entre o Ministério e a Câmara).
- No Segundo Reinado, em um período de quase 50 anos, houve a formação de 36 gabinetes. Média de um ano e três meses de duração para cada gabinete.

- A Conciliação: (1853-61) Período em que os liberais e conservadores faziam acordos para a formação dos ministérios. É tanto um efeito colateral da Praieira quanto símbolo máximo da “frouxidão ideológica” dos dois partidos e da semelhança das práticas entre um e outro.

- Alguns historiadores discutem se realmente existia alguma distinção política entre Liberais e Conservadores
- Caio Prado Jr.:
- Para este autor, na verdade existiriam dois grupos de interesses rivais, uma “burguesia reacionária” (representada pelos latifundiários escravistas) e uma “burguesia progressista” (incorporada por comerciantes e financistas). As duas correntes se misturavam nos dois partidos, mas os reacionários predominavam no Conservador.
- Raimundo Faoro:
- Para Faoro, o Partido Conservador representava a burocracia estatal enquanto o Liberal, os interesses dos proprietários de terras.

- Unidade Territorial:
- O temor da fragmentação territorial, que foi forte nos primeiros anos pós independência, reaviva-se com as rebeliões do período regencial. Assegurar a unidade territorial ainda era um desafio para o Império.
- Dois historiadores formularam interpretações diferentes sobre o sucesso do segundo reinado em manter o território intacto:
- José Murilo de Carvalho: A principal força que manteve o país unido foi a sua elite polícia coesa. Os membros da elite administrativa eram uma camada bastante homogênea. Praticamente os únicos com educação superior, não importando suas regiões de origem, a imensa maioria cursava Direito e acabavam formando um núcleo unido, pois as únicas faculdades que existiam era Coimbra (em Portugal, antes da independência) e São Paulo e Recife/Olinda. Assim detinham vínculos pessoais, interesses comuns e capacidade técnica para administrar e garantir a coesão do Império.
- Luís Filipe de Alencastro: Para este autor foi a escravidão e as relações internacionais do século XIX que mantiveram o Brasil unido. A Inglaterra, de longe a nação mais poderosa e influente no século XIX, pressionava o Brasil a eliminar o tráfico de escravos e o próprio sistema escravista em si. Qualquer região que tentasse se separar teria que lidar com as pressões inglesas sozinho, e ainda enfrentar a resistência do Império Brasileiro. Para reforçar sua tese, Alencastro afirma que as tentativas mais violentas de separação do Império ocorreram em regiões nas quais a escravidão não era tão importante, a Balaiada (no sertão do Maranhão) e a Farroupilha (no Rio Grande do Sul), ambas no Período Regencial.

- Além das questões diplomáticas e administrativas que contribuíram para a unidade do Império, o mesmo adotou uma série de políticas para construir um sentimento de nacionalidade.
- Fortalecimento do IHGB – Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1838).
1845 – “Como se deve escrever a história do Brasil” de Karl Phillip Von Martius, monografia publicada na revista do IHGB. (obs.: Ler o texto postado no Magnum SOL – “Como escrever a história do Brasil”).
1854-1857 - História Geral do Brasil (Francisco Adolfo de Varnhagen – 1816-1878)
- No aspecto geográfico, o Instituto buscou mapear e nomear as regiões do interior do país, num esforço de demonstrar o controle e o conhecimento sobre o território, anteriormente selvagem.
- Nas artes, sobretudo na literatura, ganhará força uma visão idílica e heróica do indígena, que terá sua expressão máxima no indigenismo do Romantismo.

Mudanças Sociais e Econômicas

- Consolidação do café (que já era o principal produto brasileiro desde a regência). Deslocamento do eixo econômico para o sudeste (vale do Paraíba inicialmente). As primeiras mudas de café chegaram na América Portuguesa em 1727.
- O café era cultivado com métodos arcaicos, muitas vezes as mudas eram plantadas sem nenhuma ordenação. O que, dependendo da topografia, podia levar á erosão e ao esgotamento do solo.
- Em média, cada escravo ficava responsável por cuidar de 4 a 7 mil pés de café.
- A planta demora 4 anos para começar a dar frutos, então o investimento inicial é alto. Isso restringia as possibilidades para aqueles com as maiores terras.
- As ferramentas de trabalho eram a enxada e a foice, o arado só foi introduzido após 1870.
- O processo de legalização das propriedades era violento e fraudulento, isso acabava concentrando ainda mais terras nas mãos dos grandes proprietários, que tinham influência social e poder econômico para tomar as terras dos pequenos proprietários.
- O dinamismo do café, e sua expansão em direção a São Paulo, leva a uma dinamização das cidades da região. Muitos cafeicultores passaram a ter uma casa na cidade, onde podiam experimentar uma vida social mais intensa e ostentar sua crescente riqueza.
- Nas grandes cidades há o surgimento de novos serviços “modernos”: iluminação pública, bondes, ferrovias, bancos, teatros, bondes...
- Estes serviços eram frutos de investimentos diversos, tanto privados (muitas vezes com dinheiro dos cafeicultores) como governamentais e muitas vezes estrangeiros. A oligarquia cafeicultora se liga também à dinâmica urbana.
- As ferrovias recebem incentivo governamental e o capital inglês atua intensamente no financiamento. As estradas de ferro representavam um enorme avanço em relação ao sistema de transporte de mulas. E mais ainda, eram símbolo de modernidade e eficiência nas comunicações e negócios.

Industrialização

- Em 1844 entram em vigor as Tarifas Alves Branco. Estas tarifas são o fim das históricas “taxas privilegiadas de importação”, criadas em 1810 para a Inglaterra e estendidas às outras nações após a renovação do tratado em 1827. A partir de 1844 os produtos importados pagariam taxas consideráveis para entrarem no país, criando um ambiente de protecionismo econômico.
- Bill Aberdeen – 1845.
- Lei Eusébio de Queirós (1850): Extingue o tráfico de escravos para o Brasil. Esta lei “liberou” o capital
dos grandes traficantes de escravos, que agora estavam sem atividade, para ser aplicado em outras atividades.
- Estas duas leis criaram um ambiente favorável à industrialização. Alguns autores colocam também que com o tempo o próprio lucro do café passou a ser investido em atividades industriais.
- A industrialização de fato ocorreu, mas ela deve ser tomada com ressalvas. Para os padrões brasileiros (ou seja, para um país que não tinha indústrias) ela foi pelo menos percebida, já para os padrões europeus ela foi insignificante.
- Se formos considerar a monstruosa superprodução de café no fim do séc. XIX, podemos afirmar que o investimento industrial não foi tão grande, a mentalidade cafeicultora e agro-exportadora prevaleceu, havia poucos com a mentalidade industrialista. O café significava, para além de um investimento “certo” na época, todo um sistema social já consolidado e organizado.
- O fim do protecionismo no início da década de 1860 com as tarifas Silva Ferraz (que novamente reduzem as taxas alfandegárias) mostra também que o industrialismo nunca foi um projeto do governo imperial e dependia totalmente de iniciativas pessoais (como é o caso clássico do Barão de Mauá, 1813-1889, que faliu em 1878).

Mão de obra e migração.
- A mão de obra nas lavouras foi majoritariamente escrava até bem próximo do fim do império.
- A migração interna de escravos acentua-se apenas após a Lei Eusébio de Queirós. A partir de então as regiões nordeste e sul passam a vender seus escravos para proprietários no sudeste, a região economicamente mais dinâmica.
- Apesar das primeiras tentativas de utilização da mão de obra imigrante assalariada serem de meados do séc. XIX, a imigração só se tornará um projeto de estado a partir da década de 70.
- Na primeira grande tentativa organizada, em 1847, o fazendeiro Nicolau de Campos Vergueiro, com recursos do governo, levou imigrantes alemães e suíços para suas fazendas em SP. O regime de trabalho combinado foi a parceria, no qual cada família era assentada em uma fração da fazenda e dividiria os lucros ou os prejuízos da safra com o latifundiário.
- Com inúmeros atritos e submetidos a uma disciplina rígida (que incluía censura de cartas e proibição da circulação no interior da fazenda), os imigrantes revoltaram-se em 1856. Isso pós fim às tentativas de parceria.
- Em 1871 a província de São Paulo inicia um programa de imigração subvencionada. O tipo de subvenção variou ao longo do tempo, pagamento da passagem, hospedagem na chegada, transporte para os locais de trabalho nas fazendas do interior.
- Por que o imigrante? A vinda do imigrante é marcada por uma série de preconceitos. O trabalhador europeu branco era considerado mais civilizado, ordeiro e faria bem ao país. Ao contrário do escravo negro, bárbaro, incivilizado, que corrompia o caráter do povo brasileiro com seu sangue. Para além da questão do trabalho o imigrante representava uma possibilidade de “branquear” o Brasil.
- Sob uma perspectiva mais antiga, a vinda do imigrante se insere na disputa do trabalho livre versus o trabalho escravo. O primeiro seria mais produtivo e mais dinâmico enquanto o segundo menos produtivo e atrasado.
- Lei de Terras (1850): Tornava todas as terras devolutas (não ocupadas) propriedade do estado. Para adquirir terras a partir de 1850 não bastava apenas a ocupação, o indivíduo deveria provar e registrar sua propriedade caso ela fosse anterior a 1850 (o que nem todos conseguiam fazer) ou adquiri-la do estado via compra, estes dois elementos praticamente vetam o acesso à propriedade aos mais pobres. Isto consolidava a distribuição latifundiária da terra e por outro lado submetia a mão de obra aos grandes proprietários.